terça-feira, 31 de julho de 2007

A Negação de Pedro


«Mas Pedro, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se escandalizem de ti, eu nunca me escandalizarei. Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que esta noite, antes que o galo cante três vezes negar-me-ás. Respondeu-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de modo algum te negarei. E o mesmo disseram todos os discípulos.» - Mateus 26, 33-35

O Apóstolo Pedro construira todo o seu relacionamento com Cristo no pressuposto de que era capaz de agir da forma adequada. É por isso que foi tão difícil para ele encarar a sua negação ao Senhor. A sua força, a sua lealdade e a sua fidelidade eram bens fornecidos por ele ao discipulado. A falácia na mente de Pedro era a seguinte: ele cria que o seu relacionamento dependia da sua consistência em produzir as qualidades pelas quais ele achava que havia conquistado a aprovação do Senhor. Muitos de nós enfrentamos o mesmo problema. Projectamos no Senhor o nosso padrão mensurado de aceitação. Toda a nossa compreensão Dele está baseada num toma-lá-dá-cá de amor permutado. Ele nos amará se formos bons, éticos e diligentes. Mas nós trocamos as perspectivas: tentamos viver de modo a que Ele nos ame em vez de viver porque ele nos amou.

Brennan Manning- O Evangelho Maltrapilho




domingo, 29 de julho de 2007

Sobre o Perdão


Perdoar do fundo do coração é muito difícil. Quase impossível. Jesus disse aos discípulos:«(Se o teu irmão) te ofender sete vezes ao dia e sete vezes te vier dizer: "Arrependo-me", perdoar-lhe-ás» (Lucas 17, 4)

Muitas vezes digo: «perdoo-te»; mas o meu coração continua aborrecido ou ressentido. Quero continuar a ouvir a história que me prove que, ao fim e ao cabo, tenho razão; quero continuar a ouvir desculpas e justificações; quero ter a satisfação de receber em troca algum louvor - nem que seja só por ter perdoado!

No entanto, o perdão de Deus é incondicional; brota de um coração que não reclama nada para si, de um coração completamente vazio de egoísmo. É o seu divino perdão que tenho de praticar na minha vida quotidiana. É um chamamento a passar por cima de todos os argumentos que dizem que o perdão é pouco prudente, pouco saudável e nada prático. Desafia-me a passar por cima de todas as minhas necessidades de gratidão e de atenção. Por fim, exige que me sobreponha àquela parte do meu eu que se sente ferida e agravada e que deseja manter o controlo e impor algumas condições a quem me pediu perdão.

Este «passar por cima» é a autêntica lei do perdão. Talvez seja mais «trepar» que «passar». Muitas vezes tenho que trepar acima do muro de argumentos negativos que levantei entre mim e aquele que amo e não me retribui o amor. É um muro de receio de ser utilizado ou ferido outra vez. É um muro de orgulho e de vontade de controlar. Mas cada vez que subo a esse muro, entro na casa onde o Pai habita e abraço aí o meu irmão com um amor autêntico e misericiordioso.

Henri Nouwen, O Regresso do Filho Pródigo


A primeira e geralmente única pessoa a ser curada pelo perdão é a pessoa que perdoa... Quando genuinamente perdoamos, libertamos um prisioneiro e então descobrimos que o prisioneiro que libertamos éramos nós.

A única coisa mais difícil do que o perdão é não perdoar.

Philip Yancey, Maravilhosa Graça

quinta-feira, 26 de julho de 2007

A Porta do Coração


Certa vez um homem havia pintado um lindo quadro. No dia da apresentação ao público, convidou várias pessoas para ver a obra. Compareceram as autoridades locais, fotógrafos, jornalistas, enfim, uma multidão. Afinal, o pintor além de um grande artista era também muito famoso. Chegado o momento, tirou-se o pano que revelava o quadro. Houve um caloroso aplauso! Era uma impressionante figura de JESUS batendo suavemente à porta de uma casa. Com o ouvido junto à porta, ELE parecia querer ouvir se lá dentro alguém respondia. Houve discursos e elogios. Todos admiravam aquela obra de arte.Porém, um curioso observador, achou uma falha no quadro. A porta não tinha fechadura. E intrigado, foi perguntar ao artista...- Sua porta não tem fechadura? - Como se fará para abri-la? - Perguntou o admirador. Respondeu-lhe o artista: - É assim mesmo. Esta é a porta do coração humano, só se abre pelo lado de dentro.


Autor desconhecido

domingo, 22 de julho de 2007

Na Casa de Deus


Na casa de Deus há muitas moradas. Há lugar para todos - um lugar único e especial. Se acreditarmos profundamente que somos preciosos aos olhos de Deus, então seremos capazes de descobrir também a valia dos outros e o lugar único que ocupam no coração de Deus.

Não é possível entrar em competição para ver quem é que ganha o amor de Deus. O amor de Deus é um amor que abraça a todos - cada um na sua própria unicidade. Só quando reivindicamos o nosso lugar no amor de Deus é que podemos experimentar o abraço total desse mesmo e incomparável amor e sentirmo-nos em segurança, não só em relação a Deus mas também em relação a todos os irmãos e irmãs.

Henri Nouwen, Viver é ser amado

Humildade, sinal de força

O humilde consegue grandes coisas com perfeição invulgar porque não está mais preocupado com incidentes tais como seus próprios interesses e a sua reputação; não necessita, portanto, de gastar as suas forças, defendendo-os. Pois o homem humilde não tem medo do fracasso. Na verdade, não tem medo de coisa alguma, nem de si mesmo, já que a perfeita humildade implica perfeita confiança no poder de Deus, diante do qual nenhum outro poder tem sentido e para quem não existe nenhum obstáculo. A humildade é o sinal mais seguro da força.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

5 coisas que me marcam na pessoa de Jesus

A Vilma do blog - Coisas de mim, desafiou-me para falar das características que mais me marcam na pessoa de Jesus. É com prazer e alegria que o faço, pois Jesus foi a descoberta mais importante, preciosa e essencial que fiz na minha vida. A vida com Jesus é rica, bela, fascinante, aliciante, estimulante, doce, suave...

  • Amor e generosidade - Jesus deu a sua vida por nós. Amou os seus inimigos até ao fim, sem excepções. No auge do seu sofrimento manifestou uma capacidade de perdoar sem limites:" Pai, perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem". Jesus é um Amigo leal, generoso, verdadeiro. Ele deu a sua vida pelos seus amigos; que o abandonaram quando Ele mais precisava deles. A capacidade de Jesus para perdoar e amar sem limites é sublime, incomparável. Ele ama-nos incondicionalmente, apesar das nossas falhas, dos nossos defeitos... Ele é a personificação do Amor. O seu mandamento essencial é: "Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei." (João 15, 17)

  • Bondade e Compaixão - Há muitas parábolas e atitudes de Jesus que ilustram a sua bondade e compaixão, sobretudo para com os pecadores, os pobres, os oprimidos e marginalizados. Jesus arriscava a sua vida pelas pessoas mais menosprezadas da sociedade em que vivia. (João 8, 3-11) Para Jesus, todos os seres humanos são únicos e preciosos. No seu coração, não há lugar para preconceitos sociais, discriminações raciais. Na parábola do bom samaritano, Jesus revela quem é o nosso próximo e como devemos amar a todos, independentemente da raça, religião, classe social...(Lucas 10, 29-35). Jesus era solidário e compassivo perante o sofrimento humano; curou, alimentou e ressuscitou pessoas. (João 11, 1-44).

  • Autenticidade e Coerência - Jesus viveu tudo o que ensinou e pregou. Foi fiel à Vontade de Deus, em todas as circunstâncias. Todo o seu Ser estava focalizado num único objectivo. Ele desceu do céu para cumprir um Plano Transcendental e, nada nem ninguém o impediu de cumprir esse Plano divino. Por mais hostil e opressivo que fosse o ambiente, Jesus mantinha-se sereno e tranquilo, e respondia com inteligência, sabedoria e coerência às questões que lhe colocavam. Embora fosse uma pessoa flexível e aberta, Jesus não se deixava moldar pelas circunstâncias, pelas pressões e opiniões desfavoráveis dos seus opositores.

  • Humildade - Jesus disse que veio para servir e não para ser servido. Em todos os seus gestos, comportamentos e atitudes, Ele foi fiel a este princípio. Teve atitudes de humildade inacreditáveis, que deixaram os seus discípulos perplexos.(João 13, 1-17) Foi humilhado, rejeitado, insultado, abandonado, espancado, mas nunca ripostou, nunca se rebelou.

  • Sensibilidade e Inteligência - Jesus revela uma inteligência sublime, assombrosa! O psiquiatra Augusto Cury que fora um ateu convicto, estudou durante alguns anos a personalidade de Jesus e rendeu-se à sua inteligência e sabedoria:" Foi um maestro da vida. Transformou as dificuldades e os problemas em ferramentas para afinar os instrumentos da inteligência e da emoção. Regeu a orquestra sinfónica da sabedoria numa terra onde se cantava a música do preconceito e da rigidez." . Este psiquiatra fez um resumo das principais características da personalidade de Jesus; eis algumas delas:
  1. Não gravitava em torno das ofensas e rejeições sociais.
  2. Pensava antes de reagir.
  3. Era convicto no que pensava e gentil na maneira de expor os seus pensamentos
  4. Transferia a responsabilidade de crer nas suas palavras e segui-lo aos próprios ouvintes.
  5. Vivia a arte do perdão. Podia retomar o diálogo a qualquer momento com as pessoas que o frustravam.
  6. Não fugia dos seus sofrimentos, mas enfrentava-os com lucidez e dignidade.
  7. Não reclamava nem murmurava. Supervalorizava o que tinha, e não o que não tinha.
  8. Não gravitava em torno da fama e jamais perdia o contacto com as coisas simples.
  9. Era sociável, agradável, relaxante. Estar ao seu lado era uma aventura contagiante e estimulante.
  10. Não esperava muito das pessoas que o rodeavam, nem das mais íntimas, embora se doasse intensamente por elas.
  11. Tinha enorme paciência para ensinar e não vivia em função dos erros dos seus discípulos.
  12. Nunca desistia de ninguém, embora as pessoas pudessem desistir dele.
  13. Tinha enorme capacidade para encorajá-las, ainda que fosse com um olhar.
  14. Usava os seus erros como adubo da maturidade, e não como objecto de punição.
  15. Sabia estimular as suas inteligências e conduzi-las a pensar em outras possibilidades

Quem quiser pode consultar a lista completa das características no link: http://seguirjesus.blogspot.com/2007/05/jesus-o-mestre-dos-mestres.html

E agora passo a desafio aos seguintes bloggers:

Sonia Farmacêutica - http://blog-mundo-melhor.blogspot.com/

Maria João - http://deusemtudoesempre.blogspot.com/

Flor - http://flor-odesabrochar.blogspot.com/

Laurie Marie - http://nospassosdejesus.blogspot.com/

terça-feira, 17 de julho de 2007

O Dom Secreto da Compaixão

A mobilidade descendente, o ir ter com os que sofrem e partilhar as suas penas, parece que sabe um pouco a masoquismo ou até doença. Que alegria pode haver na solidariedade para com os pobres, os doentes e os moribundos? Que alegria pode haver na compaixão? Pessoas como Francisco de Assis, Carlos de Foucauld, Mahatma Gandhi, Albert Wchweizter, Dorothy Day e muitos outros, eram tudo menos masoquistas ou doentes. Todos irradiavam alegria. Esta é, obviamente, uma alegria desconhecida do nosso mundo. Se nos guiássemos pelo que nos dizem os meios de comunicação social, a alegria devia ser o resultado do sucesso, da popularidade e do poder, mesmo que os que detêm essas coisas tenham, com frequência, um coração pesado e até deprimido.
A alegria que provém da compaixão é um dos segredos mais bem guardados da humanidade. É um segredo só conhecido de muito poucas pessoas, um segredo a descobrir continuamente.Eu, pessoalmente, tive umas «amostras» dela. Quando vim para Daybreak, uma comunidade com pessoas com deficiências mentais, pediram-me para passar algumas horas com Adam, um dos membros deficientes da comunidade. Todas as manhãs, tinha que o levantar da cama, dar-lhe banho, barbeá-lo, escovar-lhe os dentes, dar-lhe o pequeno-almoço e levá-lo para o lugar onde ele passa todo o seu dia. Durante as primeiras semanas, quase tive medo, sempre preocupado com não fazer nada mal ou com que ele tivesse algum ataque epiléptico. Mas, pouco a pouco, fui ficando mais calmo e comecei a apreciar a nossa rotina diária. Com o passar das semanas, descobri que já era com ansiedade que esperava por aquelas duas horas que passava com o Adam. Sempre que pensava nele durante o dia, experimentava um sentimento de gratidão por o considerar meu amigo. Embora ele não fosse capaz de falar e nem sequer de fazer um sinal de agradecimento, havia um autêntico amor entre nós. O meu tempo com Adam tornara-se o tempo mais precioso do dia. Quando uma visita amiga me perguntou um dia: «Não poderias passar melhor o tempo que a trabalhar com um homem deficiente? Foi para fazer esse tipo de trabalho que tiraste o teu curso?» , compreendi que não era capaz de lhe explicar a alegria que o Adam me trazia. Ele tinha que descobrir isso por si mesmo. A alegria é o dom secreto da compaixão. Continuamos a esquecer-nos disso e inconscientemente procuramo-la em outros lugares. Mas, cada vez que voltamos para onde existe a dor, conseguimos uma nova «amostra» de alegria que não é deste mundo.
Henri Nouwen, Aqui e Agora

domingo, 15 de julho de 2007

Mobilidade Descendente

A vida de compaixão é a vida da mobilidade descendente! Numa sociedade em que a mobilidade ascendente é a norma, a mobilidade descendente não só não é encorajada como inclusivamente é considerada imprudente, pouco saudável, senão mesmo completamente estúpida. Quem será que escolhe livremente um emprego mal pago quando lhe é oferecido um outro bem pago? Quem será que escolhe a pobreza quando a riqueza está ao seu alcance? Quem será que escolhe um lugar escondido quando há um lugar na ribalta da vida? Quem será que opta por viver por uma única pessoa com graves carências quando poderia ajudar muitos ao mesmo tempo? Quem será que escolhe retirar-se para um lugar de solidão e oração quando há tantas exigências urgentes em toda a parte? Toda a minha vida, fui encorajado por gente bem intencionada a «subir na escala» e o argumento mais comum era: «Nessa posição, pode fazer tanto bem a tanta gente!»Mas essas vozes chamando-me à mobilidade ascendente estão completamente ausentes do Evangelho. Jesus diz: «Quem ama a sua vida, perdê-la-á e quem odiar a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna» (João 12, 25). E diz mais: «Se não vos fizerdes como crianças nunca entrareis no reino dos céus» (Mateus 18, 3). E finalmente diz: «Vós sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores e que os grandes exercem sobre elas o seu poder. Não seja assim entre vós. Ao contrário, quem quiser fazer-se grande entre vós, seja o vosso servo; e quem quiser ser o primeiro no meio de vós, seja vosso escravo. Assim fez o Filho do Homem que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida pelo resgate de muitos» (Mateus 20, 25-28).Esta é a via da mobilidade descendente, a via descendente de Jesus. É a via que leva aos pobres, aos que sofrem, aos marginalizados, aos prisioneiros, aos refugiados, aos que estão sós, aos esfomeados, aos moribundos, aos torturados, aos sem-tecto - a todos os que pedem compaixão. O que é que eles têm a oferecer em troca? Nem sucesso, nem popularidade, nem poder, mas a alegria e a paz dos filhos de Deus.

Henri Nouwen, Aqui e Agora

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Carregar os fardos

«Deve-se admitir, portanto, que, se o evangelho da paz não é mais convincente quando anunciado por cristãos, isso bem pode ser por eles terem deixado de dar um exemplo vivo de paz, unidade e amor. Na verdade, temos que compreender que a Igreja nunca pretendeu ser absolutamente perfeita na terra, e que ela é a Igreja dos pecadores, carregada de imperfeições. A paz cristã e a caridade cristã estão baseadas nessa necessidade de ‘carregar os fardos uns dos outros’, de aceitar as fraquezas que infestam a nossa e a vida dos outros. Nossa unidade é uma luta contra a desunião, e a nossa paz subsiste no meio do conflito.»



Dá-me a força que espera em Ti em silêncio e em paz.
Dá-me a humildade —
somente nela se encontra o repouso —
e liberta-me do orgulho, o mais pesado dos fardos.
Toma posse, totalmente,
do meu coração e da minha alma
com a simplicidade do amor.
Ocupa, inteiramente, minha vida
com o único pensamento e o único desejo de amar,
para que eu possa amar
não por causa do mérito,
nem por causa da perfeição,
nem por causa da virtude,
nem por causa da santidade.
Mas por Ti só.
Pois há somente uma coisa
que possa satisfazer o amor e recompensá-lo:
Tu, unicamente Senhor.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Oração e liberdade pessoal


“ A oração é a mais verdadeira garantia da liberdade pessoal. Somos mais verdadeiramente livres no livre encontro dos nossos corações com Deus na Sua palavra e ao recebermos o Seu Espírito, que é o Espírito de verdade e liberdade . A Verdade que nos liberta não é uma mera questão de informação sobre Deus, mas a presença em nós, por amor e graça, de uma pessoa divina que nos leva a participar da vida pessoal íntima de Deus como Seus Filhos [e Filhas] adoptivos. Esta é a base de toda a oração, e toda a oração deve estar voltada para este mistério da adopção na qual o Espírito em nós reconhece o Pai. O clamor do Espírito em nós, o clamor do reconhecimento de que somos Filhos [e Filhas] no Filho, é o cerne da nossa oração e o maior motivo de oração.

Portanto, recolhimento não é exclusão de coisas materiais, e sim atenção ao Espírito no mais íntimo do nosso coração. A vida contemplativa não deve ser encarada como uma prerrogativa exclusiva dos que residem entre paredes monásticas. Todos podem procurar e encontrar essa consciência e despertar íntimos que são dons de amor e um toque vivificante de poder criador e redentor, do poder que ergueu Cristo de entre os mortos e que nos limpa das obras da morte para servirmos ao Deus vivo. Hoje com certeza é preciso enfatizar que a oração é uma real fonte de liberdade pessoal no meio de um mundo no qual somos dominados por organizações imponentes e instituições rígidas que só procuram explorar-nos para obter dinheiro e poder. Longe de ser a causa da alienação, a verdadeira religião em espírito é uma força libertadora que nos ajuda a encontrar-nos em Deus .”

Orar


Orar é iluminar-se em Deus
a fim de ser luz para os outros.
Não basta dizer palavras,
é preciso mergulhar no coração de Deus.
A oração é a ponte que nos liga
a Deus e ao próximo.
Mais ainda: a oração leva-nos
a penetrar nos projectos de Deus,
de modo que começamos a agir
segundo os seus desígnios,
a querer e a amar
o que é da vontade divina.
Conhece felicidade maior do que essa?
Pois «cada pessoa é um pensamento
de Deus tornado visível».

Tarcila Tommasi, Mensagens de Sabedoria

sábado, 7 de julho de 2007

Ser cristão maduro

Ser cristão maduro é ter consciência de que a Deus não se chega "à força de braços", nem se conquista, seja com orações, virtudes, ofertas ou sacrifícios! Deus é puro Dom, e Dom totalmente imerecido. Ninguém merece Deus. Nem ninguém tem a capacidade de o "fazer descer" até si, ou de "subir" até Ele… Se quisermos, em imagem, Deus não é para alpinistas, mas para crianças, ou seja, não se chega ao encontro com Deus querendo apetrechar-se para escalar as montanhas da virtude ou dos méritos, mas apenas como criança que acolhe o rosto amoroso da mãe que se debruça voluntariamente sobre ela para a pegar ao colo e a amamentar.

O cristianismo não é um esforço religioso para chegar a Deus, mas uma atitude interior de disponibilidade, acolhimento e compromisso com o Deus que tomou a iniciativa de nos criar porque estava cheio de amor para nos dar, nos sonhou para sermos da Sua própria Família, e está permanentemente na nossa vida como Deus connosco, Deus em nós e Deus para nós. Um Deus que nos pede o esforço do acolhimento e da fidelidade, e não da conquista de méritos que jamais nos conseguiriam merecê-lo na nossa vida. Deus é grande demais, bom demais, belo demais para O merecermos… mas também é grande, bom e belo demais para estar à espera disso para nos amar!

Ser cristão é viver em Cristo e a partir de Cristo como filho bem amado de Deus Pai. Isto é infinitamente mais do que saber e acreditar que Jesus Cristo é filho de Deus. A "Viagem" fundamental que todos os cristãos têm que fazer para o serem de facto, é a "viagem" que vai da cabeça ao coração, isto é, ser capaz de caminhar das verdades aprendidas para o Deus Verdadeiro, das doutrinas ao amor, do saber à sabedoria.
Para a maior parte dos cristãos, Deus continua a ser um "Ele"… Isto é deixar-se adormecer no campo das doutrinas, das "verdades da fé", das "crenças aprendidas"… Enquanto Deus não for um "Tu", ninguém se pode chamar cristão! Mais importante que as "verdades da fé" é uma "Fé verdadeira", ou seja, uma profunda e pessoal relação de confiança e dependência radical de vida em Deus, animada pelo Espírito e amadurecida na frequente escuta da Palavra.

Fonte:Jovens Redentoristas(Visitem!!!)

A "matemática" de Deus


«O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca... »

Liberdade, Fernando Pessoa


BOM DEUS,
que delicioso é saber
que és um péssimo matemático!
As contas passam sempre ao lado
daqueles que são peritos em Amor…
Obrigado por seres Livre!
Sim,
Livre das lógicas que os Homens inventam
para se medirem e avaliarem
uns aos outros.
És Livre dessas limitações,
por isso podes amar em plenitude
e perdoar
segundo o tamanho do Teu Coração.
Louvado sejas Tu, BOM DEUS,
porque és a Plenitude do que Vivo
e construo de mim próprio!
É bom Viver com horizontes de eternidade,
na certeza de que a morte dará à Luz
o Homem Novo
que em mim está a emergir
na medida das minhas opções e atitudes marcadas pelo selo do amor…

Fonte:Jovens Redentoristas(Visitem!!!)


quarta-feira, 4 de julho de 2007

Pela graça de Deus


«...Aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios. Porque eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.» - Mateus 9, 13

O ministério de Jesus era com aqueles que a sociedade considerava pecadores de verdade. Eles não tinham feito coisa alguma para merecer a salvação, ainda assim abriam o coração para a dádiva que lhes era oferecida. Por outro lado, os fariseus colocavam a sua confiança nas obras da lei e fechavam-se para a mensagem da graça.

Mas a salvação que Jesus trazia não podia ser conquistada com esforço. Não teria como existir qualquer trapaça com Deus numa atmosfera de mesa de poquer: "Eu fiz isso, agora tu fazes-me aquilo". Jesus destrói por completo a noção jurídica de que as nossas obras merecem qualquer pagamento em troca. Nossas insignificantes obras não nos dão o direito de regatear com Deus.

O perigo que há nas nossas boas obras, investimentos espirituais e em tudo o resto é de que podemos construir uma imagem de nós mesmos em que acabamos por estabelecer o nosso valor próprio. O comprazimento connosco substitui então o puro deleite do amor incondicional de Deus.
Deus não apenas me ama como eu sou, mas também me conhece como sou. Por causa disso não preciso aplicar maquilhagem espiritual para fazer-me aceitável diante dele. Posso reconhecer a posse da minha miséria, impotência e carência.

Brennan Manning - Evangelho Maltrapilho

Ser Cristão

«O cristianismo não é primariamente um código moral, mas um mistério permeado de graça; não é essencialmente uma filosofia do amor, mas um caso de amor; não é agarrar-se com unhas e dentes a regras, mas é receber um presente de mãos abertas» - Brennan Manning

«O cristianismo não é primariamente um sistema ético, um sistema de ritual, um sistema social, ou um sistema eclesiástico - ele é uma pessoa, ele é Jesus Cristo, e ser um cristão é conhecer a Jesus, é segui-lo e acreditar nEle.» - John Stott.

«A Igreja só existe para reabsorver os homens em Cristo, para fazer deles pequenos Cristos. E, se isso não acontece, as catedrais, o clero, as missões, os sermões, a própria Bíblia não passam de uma perda de tempo. Foi só para isso que Deus se fez homem.» - C.S. Lewis

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Uma Confiança Inabalável


«Sendo justificados gratuitamente, pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus» - Romanos 3, 24

O discípulo que vive pela graça em vez da lei já experimentou uma conversão decisiva: uma mudança da desconfiança para a confiança. A característica mais evidente de se viver pela graça é a confiança na obra redentora de Jesus Cristo.
Crer profundamente, como Jesus cria, que Deus está presente e intervindo na vida humana é compreender que sou o filho amado deste Pai e, portanto, livre para confiar. Isso faz uma diferença profunda no modo como me relaciono comigo mesmo e com os outros; faz uma enorme diferença no modo como vivo. Confiar em Abba, na oração e na vida, é postar-se de pé em abertura infantil diante do mistério do amor e da aceitação da graça.

O amor do Pai é revelado no amor do Filho. O Filho foi-nos dado para que pudéssemos abrir mão do medo. Não há medo no amor. O Pai enviou o Filho "para que tenham vida e a tenham em abundância" (João 10, 10). O Filho não é então o sinal insuperável do amor e da benevolência de Deus? Ele não veio para demonstrar o cuidado compassivo do Pai para connosco?

Abba não é nosso inimigo. Se pensamos isso, estamos errados.
Abba não está decidido a provocar-nos, tentar-nos e testar-nos. Se achamos isso, estamos errados.
Abba não dá preferência e não promove o sofrimento e a dor. Se achamos isso, estamos errados.

Jesus traz boas novas a respeito do Pai, não más.
Precisamos de uma nova espécie de relacionamento com o Pai, um relacionamento que exclua o medo e a desconfiança e a ansiedade e a culpa, que nos permita sermos esperançosos e jubilosos, confiantes e compassivos.

Brennan Manning, O Evangelho Maltrapilho

A beleza que salva o mundo

"...Porque o amor, mesmo que em silêncio, está sempre germinando as primaveras.  Amar é a beleza que salva o mundo."  [Lu...