quarta-feira, 31 de julho de 2013

OLHAR A DANÇA...




“Um homem que caminha, 

um pássaro que voa, 
uma folha que tomba: tudo anuncia o começo de uma dança. 
No coração do átomo e no ballet dos astros, 
o ritmo e a harmonia são semeados por nossos Criador e Pai. 
Escutar a música, olhar a dança são verdadeiras orações” 

(D. Helder Câmara)

domingo, 28 de julho de 2013

NO CENTRO DA RELIGIÃO



«No centro da religião deve estar o Ser Humano, especialmente quando está em situação de sofrimento, e não uma Lei ou uma "Escritura" sacralizada em forma de letra. 
No centro de religião deve estar a Misericórdia e não a Lei; eis a cura de uma doença grave que costuma afectar-nos, chamada legalismo farisaico».


Rui Santiago, em http://livrosporcorreio.blogspot.pt/2013/04/yeshuah.html

sexta-feira, 19 de julho de 2013

DESEJOS DO CORAÇÃO

"Jesus não reage ao nosso modo de vida cheio de preocupações dizendo que não deveríamos estar tão ocupados com assuntos desde mundo. Ele não tenta nos afastar dos muitos eventos, atividades e pessoas que fazem parte de nossas vidas. Ele não nos diz que o que fazemos é sem importância, sem valor ou inútil. Nem sugere que deveríamos nos afastar de nossos compromissos e viver vidas tranqüilas e descansadas, distantes das lutas deste mundo. A resposta de Jesus às nossas vidas cheias de preocupações é muito diferente. Ele nos pede que nos desloquemos o ponto de gravidade, modifiquemos o foco de nossa atenção e mudemos nossas prioridades. Ele quer que vivamos nele, porém, firmemente arraigados no centro de todas as coisas. Jesus não fala sobre uma mudança de atividades, uma mudança nos contatos, ou mesmo uma mudança de passo. Ele fala sobre uma mudança de coração. O que conta é onde nossos corações estão".

Henri Nouwen, em  "Tudo se fez novo – Um convite à vida espiritual". 

terça-feira, 16 de julho de 2013

O CAMINHO ESTREITO

“Dos incontáveis paradoxos do cristianismo histórico, esse é mais um: historicamente, os cristãos ignoraram o exemplo de Cristo e tornaram-se seguidores funcionais de João. O caminho de João Batista é o caminho dos monges do deserto, das ordens religiosas, das rádios evangélicas; é o caminho do ascetismo, das regras estabelecidas para “fazermos a diferença”; das abstenções, do recuo, do afastamento, da irrelevância, da exclusão e do preconceito.
O caminho de Jesus é o da inclusão, da presença, do abraço irrefletido e incondicional do mundo. É o caminho estreito que poucos trilham, a porta exigente pela qual poucos passam.”
Paulo Brabo em Em 6 Passos O Que Faria Jesus

domingo, 14 de julho de 2013

O MEU ATEÍSMO

Tanta violência em nome de Deus. Tanta arrogância em nome de Deus. Tanta apropriação de Deus.

Em relação a tantos discursos teístas, até Deus é o primeiro ateu.

Tentam impor-nos um Deus que não sorri, um Deus que não ama, um Deus que não chora, um Deus que não sofre, um Deus que não Se encanta, um Deus que castiga, um Deus que condena.

Tentam levar-nos por caminhos ínvios de condenações no tempo e na eternidade.

O Deus que Tu, Jesus Menino, nos mostraste só tem um nome: Pai. E possui apenas um rosto: misericórdia.

O Deus que Tu, Jesus, nos revelas é a paz, a simplicidade, a autenticidade.

Apetece, por vezes, repetir o pedido de Eckhart: «Meu Deus, livra-nos de "Deus"».
O Deus das pompas e das cátedras não é o Teu Deus. Como poderia ser o meu?

Limpa-nos, Jesus, da presunção de sabermos muito sobre Ti. Só saberemos o suficiente quando nos voltarmos para a humildade em que Tu Te deixas envolver sempre que nos vens visitar.

Ensina-nos, Senhor, a optar por um certo ateísmo. Por um ateísmo que nos afaste de falsas imagens de Deus e que nos aproxime de Deus, do Deus que Tu nos mostras na simplicidade de Belém.

Texto adaptado de: http://theosfera.blogs.sapo.pt/472637.html

sábado, 13 de julho de 2013

"VENHA A NÓS O VOSSO REINO, LIBERDADE!"

Conheço pessoas que vivem no inferno. Não tenho melhores palavra para dizer isto. Umas que pagam a renda diligentemente, de tal maneira já se habituaram, outras que foram para lá atiradas violentamente e desesperam por sair. Mas de uma ou outra maneira, sofrem muito.

Inferno vem do latim "inferos", o mais inferior, o mais baixo, o sub-humano. No porão da existência é onde o sofrimento mais dói. Nos calabouços da terra da Alegria e da Paz, nos recônditos subterrâneos da Felicidade, a luz entra por nesgas pouco abundantes. E eu há muito que deixei de acreditar naquele inferno do castigo eterno, o tal que andava em boca de pregadores como ameaça divina para levar à conversão. Obrigado Dante pela Divina Comédia, mas não vou por aí. E que me perdoem os Pastorinhos, com as suas visões de crianças atormentadas pela patologia religiosa do tempo. 

O inferno como condenação eterna nunca poderia ser uma escolha de Deus. Triste caricatura... A vida de Deus é que ficaria um inferno se Ele perdesse eternamente algum dos Seus filhos! Deus não ameaça para nos chamar à atenção, o inferno não é um argumento mais nas nossas conversas sobre salvação... a não ser que seja uma paródia, como a de Dante, cheia de seriedade. Porque, sem paródia e lá onde dói, o inferno vive-se mesmo no submundo desta terra, nos porões escuros e húmidos do dia-a-dia de muita gente. 

Outros infernos não me apoquentam nada! Mas o inferno da existência é causa de sofrimento que se espalha. Acredito que é nesses infernos que Jesus continua a entrar, continua a descer, para nos deitar a mão, para salvar, resgatar, libertar. Se Deus existe, o inferno não é para onde pode mandar-nos, sobrevoando lá do alto da sua moral, mas é de onde quer tirar-nos, enterrado até ao pescoço, com o empenho não-desistente do Seu Amor! Porque o inferno é onde Deus sofre por causa dos Seus filhos em sofrimento. E Deus quer ver-se livre do inferno! Deus quer sair do inferno que é sofrer com a dor dos Seus filhos tristes.

Fico surpreendido com a facilidade com que complicamos a vida e nos magoamos uns aos outros por falta de autodomínio e liberdade de coração. E, porque nos levamos tão a sério, cada um considera a sua maleita a maior dor do mundo! E é, claro. É a sua maior. Mas há vezes é terapêutica a visão do destamanho destas coisas. Porque o mundo é ainda tão maior... que quando nos viramos para o lado tocamos no céu com uma mão, junto à cama de um doente terminal a ser mimado com todo o carinho e paz, e tocamos no inferno com a outra, latejando nas lágrimas e nas palavras engasgadas de quem está debaixo dos escombros da sua própria vida.

Rui Santiago - http://derrotarmontanhas.blogspot.pt/2013/07/venha-nos-o-vosso-reino-liberdade.html

domingo, 7 de julho de 2013

REDESCOBRIR «O JESUS PERDIDO», REENCONTRAR «O CRISTO DESPERDIÇADO»


1. A nossa história é o lugar do encontro de Deus com o homem. Mas a nossa vida acaba por ser, também, o local do desencontro do homem com Deus.

Nestes vinte séculos de peregrinação pelas estradas do tempo, os cristãos obtiveram importantes ganhos. Mas manda a honestidade reconhecer que também coleccionaram bastantes perdas.

2. Muitas vezes, nem reparamos no que podemos estar a perder. Talvez não nos apercebamos de que — como adverte D. António Couto — podemos estar a perder «Cristo e o Seu estilo de vida».

Acontece que este é o maior (a bem dizer, o único)desperdício. Perder Cristo e o Seu estilo de vida não é perder alguma coisa; é perder tudo.

3. Fará sentido um Cristianismo sem Cristo, um Cristianismo longe de Cristo?

Não é Cristo que nos perde. Somos nós que nos perdemos de Cristo. Que fazer para redescobrir oJesus perdido e para reencontrar o Cristo desperdiçado?

4. É imperioso que o Evangelho perpasse, que nunca se desfaça e que sempre nos refaça.

É fundamental que as energias se gastem na missão e não se desgastem em tantas adiposidades que os séculos foram introduzindo.

5. A leveza do Evangelho reclama uma cura da obesidade burocrática que tão aprisionados nos retém.

Não raramente, parece que vivemos entalados entre uma bulimia funcionalista e uma anorexia vivencial.

6. É neste sentido que — como observa D. António Couto — todos, «bispos, padres, consagrados e fiéis leigos deverão ser muito mais evangelizadores e muito menos funcionários, administradores ou gestores».

A Igreja deve habituar-se a sair para que as pessoas possam entrar. No fundo, também estamos dentro quando evangelizamos fora. É que a Igreja não se faz só no edifício. Também se refaz no meio das pessoas, «com simplicidade, verdade, coragem». E sobretudo «com Cristo no coração».

7. O Evangelho não deve ser imposto de uma maneira pesada nem apressada.

Ele só pode ser anunciado de uma maneira leve e pausada: «sem ouro, prata, cobre ou alforge». E sem pressas.

8. Tenhamos presente que o mundo dispensa bem uma Cristandade fechada, ensimesmada, integrista.

Do que a humanidade está à espera é do Evangelho integral: em forma de palavra e em forma de testemunho de vida.

9. O Evangelho não é só para traduzir nas mais diversas línguas.

Acima de tudo e como nos lembra D. António Couto, o Evangelho é para ser «traduzido em gestos novos, porque convertidos, de oração, comunhão e missão».

10. É urgente oxigenar de novo a Igreja com a inalação refrescante do Evangelho. Só assim ela será escultora de um futuro diferente no hoje de cada dia.

Afinal, nem tudo está perdido quando nos perdemos em Jesus Cristo!

http://theosfera.blogs.sapo.pt/1938037.html

sexta-feira, 5 de julho de 2013

OS ÚLTIMOS



«Bem-aventurados sois vós os que estais nas franjas, pois ficareis no centro, no coração! - Nisso se poderia perfeitamente resumir o grosso de tudo o que Jesus disse e fez. (...)

Ele colocou no centro apenas um valor, um valor que era absoluto para Ele: o amor, convidando todos os que se encontravam «nas franjas» a este novo centro.(...)

Os que estavam nas franjas encontram-se agora no centro, porque Jesus se sentou à mesa com eles e os fez entrar no seu coração.»

Tomás Halík, em "Paciência com Deus"

quarta-feira, 3 de julho de 2013

DEIXAR CRISTO VIVER EM NÓS


«Aquilo que devemos fazer hoje, não é tanto falar de Cristo, mas deixar que Ele viva em nós, de tal modo que as pessoas possam encontrá-lo ao sentir como vive em nós». 

Thomas Merton

Nada é grave...

"Nada é grave, a não ser perder o amor." [Irmão Roger de Taizé]