quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

UM HOMEM SALVO

“Um homem ‘salvo’ é um homem novo, liberto dos seus instintos primários de egoísmo, de egocentrismo, aberto espontaneamente aos outros e livre de leis, porque já não tem necessidade do seu apoio.” 

Jean Onimus, “Jesús en directo”, Sal Terrae, Santander (Espanha), 2000

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O EVANGELHO É EXCÊNTRICO

«O templo de Deus somos nós. Somos igrejas de pedras vivas e em nosso corpo o Espírito fez morada. Todo gesto nosso é sagrado e cada passo é o de um templo que se move: somos santuários peregrinos. (...)

As palavras do Cristo devem nos incomodar e nos arrancar da nossa tranquilidade cotidiana para que não se tornem meras palavras que passam pelos nossos ouvidos estéreis sem nunca atingir e fecundar o nosso coração. A vocação do cristão é uma vocação para o extraordinário. O próprio Cristo nos questiona: “Se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário?”.

Os cristãos se fazem visíveis pelo extraordinário: perdoar, dar sem calcular, amar os inimigos, orar pelos perseguidores, desejar aos malvados todo bem possível, saudar os que mostram o seu rosto feroz, mas, sobretudo, amar os que não amam ninguém e que ninguém ama. 

Não devemos nos preocupar e nem complicar. Se agir de uma maneira extraordinária nos incomoda, devemos saber que demos o primeiro passo para a salvação, pois, finalmente, estamos abandonando o caminho da normalidade. 
O evangelho não é concêntrico, mas excêntrico. O cristianismo não é uma forma de auto-realização, pois Jesus não era Narciso. Amém!»

Graças a: http://matersol.blogspot.pt/2014/02/o-caminho-da-beleza-14-vii-domingo-do.html

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A «LOUCURA» CRISTÃ

«O mundo de hoje não necessita da beatice de olhos mortiços e pescoços pendurados, nem de intelectuais refinados, nem de doutores que prescrevem receitas, nem de lideranças vanguardistas. O mundo de hoje precisa de loucos, de artistas e de poetas. De homens e mulheres entusiasmados, cheios de Deus, capazes de realizar gestos insólitos e surpreendentes na sua fantasia; provocadores em sua liberdade para quem as bem-aventuranças são uma desconcertante sinfonia em que tudo será um milagre porque tudo será virado pelo avesso. (...) 

Sem o sal que nos queima, perderemos o sabor e a chama amorosa da ternura que nos deve consumir, pois “todos vão ser salgados com o fogo” (Mc 9, 49). Se não nos tornarmos crianças lúdicas, se não nos convertermos em loucos, poetas, artistas e se não tivermos em nós o sal e o fogo, jamais conheceremos o gozo que invade todo o anúncio de Cristo. 
Está mais do que na hora de nos deixarmos seduzir pela loucura, pela alegria e pela ternura de Deus para que salgados pelo fogo do seu amor e da sua misericórdia não apodreçamos justapostos e isolados nas nossas falsas seguranças. 
Não podemos continuar cristãos decorativos, pois Deus não nos seduz quando nos é imposto nos nossos cérebros, mas quando possui, porque precisa, os nossos loucos corações.»

Graças a: http://matersol.blogspot.pt/2014/02/o-caminho-da-beleza-12-v-domingo-do.html

domingo, 16 de fevereiro de 2014

ELE É O INESPERADO!


«Guarda um lugar na tua alma para o hóspede que não esperas» (Amiel)

«Quanto mais nos aventuramos, seduzidos pelo Espírito, na descoberta do nosso interior, tanto mais cresceremos em sensibilidade e em disponibilidade para tudo o que nos chega do exterior. Quanto mais nos descobrimos como morada de Deus, tanto mais o veremos em toda a realidade. Encontrar a Deus em si abre desmedidamente o olhar, convertendo-o em bondade (...)

(...) Precisamos da ternura e da compaixão infinita de Deus para aprender a olhar-nos com essa mesma ternura e compaixão. Esta é a grande dádiva daquele que irrompe na nossa vida sempre e como nunca esperávamos. Ele é o Inesperado! 

Oxalá se gravasse em nós, de uma vez por todas, que a perfeição de Deus e, portanto, a nossa perfeição, não é a impecabilidade senão a misericórdia! (...) O homem novo vê o mundo com olhos novos. O homem renascido na misericórdia de Deus vê o mundo à luz dessa mesma misericórdia.»

Carlos Maria Antunes, em "Atravessar a própria Solidão"

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

SEMPRE A CAMINHO

«A experiência religiosa requer uma vigilância, um espírito crítico, um discernimento permanente, uma escuta profunda do Evangelho. (...) Seguir Jesus é assumir estar sempre a caminho na busca do rosto de Deus, é aceitar atravessar a noite escura do não ver. 

Encontrá-lo-emos na construção da paz e da justiça, na vida partilhada, na vida fraterna, no perdão, na compaixão. Encontrá-lo-emos na nossa imensa fragilidade, quando dentro de nós ressoa uma voz que nos diz: amo-te como tu és; põe-te a caminho de novo, vai, estarei sempre contigo!»

Carlos Maria Antunes, em "Atravessar a própria Solidão"

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A BUSCA DE DEUS


«A busca de Deus é também a busca de um nome para a nossa existência, a busca da própria identidade; sabemos que só a partir dele nos podemos dizer e dizer na transparência do que somos (...)

(...) Quando nos decidimos a ir por dentro de nós é um sinal de que Deus nos precedeu com a sua graça e que, desde sempre, nos espera na nossa própria casa. Deus nunca se cansa de nos chamar à vida, a uma vida cheia, plena e, por isso, espera-nos incansavelmente. Tantas vezes tem de esperar por uma fratura para que a sua presença seja reconhecida! 


Ao decidirmos empreender esta viagem, dar-nos-emos conta de que grande parte da nossa vida a vivemos na superfície, a superfície da imagem, das crenças que fomos assimilando ao longo da vida, a superfície do nosso sistema defensivo, da nossa máscara... Dar-nos-emos conta de que há algo de irrealidade no nosso viver. Inclusivamente, aquele a quem chamamos Deus é, tantas vezes, um elemento mais deste nosso mundo artificial em que nos movemos, um deus pequenino, que cabe na nossa cabeça e que é controlável por nós. Quando nos damos conta da estreiteza do nosso horizonte, algo já se desmoronou, sabemos que já não queremos viver mais assim...»

Carlos Maria Antunes, em "Atravessar a própria Solidão"

domingo, 9 de fevereiro de 2014

PEREGRINAÇÃO INTERIOR

« O acesso à nossa identidade mais profunda requererá sempre uma peregrinação. E, para o peregrino, ainda que parta movido pelo desejo da chegada, o próprio caminho ensinar-lhe-á que a densidade da peregrinação lhe será dada pelos passos dados, pela luta que supõe cada dia, quando as forças parecem esgotar-se... Reconhecerá que o importante na vida, mais do que chegar, é mesmo o caminho. 

Estar na vida como peregrinos ensina-nos a ser humildes, a assumirmo-nos como inacabados. O mistério da nossa própria existência requer de nós, como do peregrino, fazermo-nos ao caminho, adentrarmo-nos no desconhecido, sempre com grande humildade. 

Face ao insondável que nos habita, não há outra forma. Somos beleza, beleza irrepetível, da qual não temos o direito de nos privarmos nem de privarmos os outros. Adentrarmo-nos na nossa solidão, como humildes peregrinos, ainda que alguns passos sejam especialmente duros, é o nosso mais original contributo para a grande sinfonia da vida, para a qual toda a criação está convocada.»

Carlos Maria Antunes, em "Atravessar a própria Solidão"

sábado, 1 de fevereiro de 2014

FÉ ADULTA


Uma fé adulta e madura implica uma confiança de menino, um espírito de infância capaz de mover as montanhas do medo, das falsas seguranças, das ilusões de poder e de autossuficiência.

Nada é grave...

"Nada é grave, a não ser perder o amor." [Irmão Roger de Taizé]