domingo, 29 de novembro de 2015

A CRIANÇA É A MENSAGEM



A criança é a mensagem.
Um Deus que entra em nossa vida desde a meninice é o mais crente de nós.
Acredita em recomeços.
Tem fé nos reinícios.
Adere aos nossos renascimentos.
O bebê é Deus dizendo: Faça como eu, recomece sempre que um novo início for a salvação.
Ele não é o outro que vem a nós.
É o menino que vimos crescer.
Não chega. Nasce.
Não se impõe. Entrega-se.
Não reivindica. Serve.
Não esmaga. Mistura-se.
Conta histórias para contar-se entre nós...
Não intimida. Seduz.»



quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O DEUS CONNOSCO



«O Deus Connosco não aparece entre nós como um líder valente ou um chefe carismático que motiva em nós a vontade de lutar.
O Deus Connosco não aparece no meio de nós como alguém forte a provocar em nós a capacidade de obedecer.
O Deus Connosco aparece no meio de nós como alguém que quer provocar em nós a Sensibilidade, despertar o que há de mais íntimo em nós.

Deus vem visitar-nos para despertar em nós o carinho, a ternura, os sentimentos da nossa mais profunda humanidade.
Essa é a sua ideia… converter-nos, antes de tudo, à sensibilidade, à ternura, à doçura dos gestos, das palavras e das intenções.»

domingo, 15 de novembro de 2015

CÂNTICO



Ele disse: 

«lava a tua casa retira os móveis todos 
aí quero dançar» 


assim o Senhor dança nos salões vazios: 

semelhante a um turíbulo
espalha o seu perfume


não fechei as portas

abri as janelas: os ladrões evitam
a casa iluminada


fiz tapetes de flores

pus grinaldas na entrada
pois é muito grande a festa de Um só convidado


espero nas traseiras e ceio no umbral

o Senhor ocupa-me
e a casa toda é sua


sirvo na bandeja as mais frescas iguarias

os frutos colhidos
nos dias de canseira


o Senhor dorme no leito e eu estou acordado

o Senhor levanta-se
e eu não posso dormitar


a água sai pura

das suas lavagens
lavo-me na água que o Senhor usou


de manhã o Senhor veste-se

com a roupa que lhe trago
come do que tenho – e assim eu empobreço


visto o meu Senhor e eu o alimento

assim fico sem nada
e Ele me sustém


que eu nunca me atrase à chamada do Senhor

não vá Ele mostrar-me
não precisar de mim


que eu não seja dos que perdem

primaveras e outonos
que não seja contado entre os ignorantes


enquanto o Senhor dança o meu coração exulta: 

que Deus este que não para
de se mover por mim!


Carlos Poças Falcão

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O DEUS VIVO

«Livra-me de ser um limite para o teu amor.»


«Nós crentes excluímos Deus, o Deus vivo, da nossa vida. Tornámo-lo uma referência do passado, uma história já conhecida, um guião lido, bem guardado na dobra do presente, uma espécie de arqueologia privada para um uso monótono. (...)

Muitas vezes é isto a nossa religiosidade. Dizemos: Deus é isto, o seu nome é aquilo. E Deus tem de ficar ali encaixado, submisso. E passamos o tempo da nossa vida a dizer a Deus: «Tu não podes», «Tu não podes». 
Este é o ponto fundamental da nossa conversão. Verificar, no fundo de mim, se dou espaço para que Deus continue a dizer, para que Deus continue a estar, para que Deus vá onde Ele quiser e não onde eu acho que Ele deve ir…»

José Tolentino Mendonça, in Pai-nosso que estais na terra

domingo, 8 de novembro de 2015

VIDA PARTILHADA

«Alimentamo-nos uns dos outros. Somos uns para os outros, na escuta e na palavra, no silêncio e no riso, no dom e no afeto, um alimento necessário, pois é de vida (e de vida partilhada) que as nossas vidas se alimentam.»

José Tolentino Mendonça, in Pai-nosso que estais na terra

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

«Todas as vidas são pão, mas nem todas são Eucaristia, isto é, oferta radical de si, entrega, doação, serviço. 
Todas as vidas chegam ao fim, mas nem todas vão até ao fim no parto dessa vitalidade (humana e divina) que trazem inscritas.»

José Tolentino Mendonça, in Pai-nosso que estais na terra




Nada é grave...

"Nada é grave, a não ser perder o amor." [Irmão Roger de Taizé]