sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

CONVITE


«Vamos ressuscitados, colher flores!
Flores de giesta e tojo, oiro sem preço…
Vamos àquele cabeço

Engrinaldar a esperança!
Temos a Primavera na lembrança;
Temos calor no corpo entorpecido;
Vamos! Depressa!
A vida recomeça!
A seiva acorda, nada está perdido!»


Miguel Torga

domingo, 8 de janeiro de 2017

"É importante que, na nossa oração, nos ponhamos diante da luz, do amor, e não perante um conjunto de leis". 

[Paolo Scquizzato]

sábado, 7 de janeiro de 2017

A felicidade de Jesus

Não é difícil desenhar o perfil de uma pessoa feliz na sociedade do tempo de Jesus. Seria o caso de um homem adulto e de boa saúde, casado com uma mulher honesta e fecunda, com filhos homens e terras ricas, observante da religião e respeitado em seu povoado. O que mais se podia pedir?

Certamente não era este o ideal ao qual Jesus aspirava. Sem esposa nem filhos, sem terras nem bens, percorrendo a Galileia como um ambulante, sua vida não correspondia a nenhum tipo de felicidade convencional. Sua maneira de viver era provocativa. Se era feliz, o era de maneira contracultural, ao revés do estabelecido.

Na verdade, Ele não pensava muito em sua felicidade. Sua vida girava muito mais em torno de um projeto que o entusiasmava e o fazia viver intensamente. Esse projeto se chamava “Reino de Deus”. Parece que só era feliz quando podia fazer felizes os outros. Sentia-se bem devolvendo às pessoas a saúde e a dignidade que lhes foram arrebatadas injustamente.

Não buscava seu próprio interesse, mas vivia criando novas condições de felicidade para todos. Não sabia ser feliz sem incluir os outros. Propunha a todos critérios novos, mais livres e radicais, para construir um mundo mais digno e feliz.

Acreditava num “Deus feliz”, o Deus Criador que olha com amor entranhável todas as suas criaturas, o Deus amigo da vida e não da morte, mais atento ao sofrimento das pessoas do que a seus pecados.

A partir da fé nesse Deus, rompia os esquemas religiosos e sociais. Não pregava “Felizes os justos e piedosos, porque receberão o prêmio de Deus': Não dizia “Felizes os ricos e poderosos, porque contam com a bênção de Deus”. Seu clamor era desconcertante para todos: “Felizes os pobres, porque Deus será sua felicidade”.

O convite de Jesus vem a dizer isto: “Não busqueis a felicidade na satisfação de vossos interesses, nem na prática interessada de vossa religião. Sede felizes trabalhando de maneira fiel e paciente por um mundo mais feliz para todos”.

Trecho do livro “O Caminho Aberto por Jesus”, de José Antonio Pagola, Editora Vozes.

- See more at: http://www.franciscanos.org.br/?p=97321#sthash.d02N0Ufi.dpuf

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

IMPERFEIÇÕES

«Sermos nós próprios é percebermos o caminho da imperfeição.
O que nos mata é essa perseguição da perfeição. Não temos de ser perfeitos. Temos de ser inteiros.
A verdadeira perfeição é a de quem não tem pés e não desiste de andar. Este não desistir de si é o essencial.»
José Tolentino de Mendonça

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Como o Pai de Jesus e Pai Nosso nos vê:

"Deixa-me mostrar-te do que és capaz!
Dentro de ti, quero ensinar-te a ver cada coisa com o seu real tamanho e valor, porque às vezes vês grandes demais problemas pequenos, e não prestas atenção a grandes maravilhas… Como tu!
Quando aprenderás a olhar para ti como se contempla uma maravilha? Quando aprenderás a ver-te como eu te vejo?
Não te olho à procura de perfeições, não existe em mim qualquer moralismo, não te exijo que sejas diferente do que és para gostar de ti e para me encantar ao olhar-te. Basta-me que sejas assim como és. Não compliques…
Se tu soubesses do que és capaz, tirarias finalmente muitos projectos da gaveta do teu Coração e darias passos que antes julgavas maiores do que as pernas. 
Porque se tu soubesses do que és capaz, as tuas pernas cresceriam…"

sábado, 31 de dezembro de 2016

Meu irmão de Dezembro

«Meu irmão de Dezembro, levanta-te, olha em redor e vê que já nasceu o dia, e há de andar por aí uma roda de alegria. Se não souberes a letra, a música ou a dança, não te admires, porque tudo é novo. Olha com mais atenção. Se mesmo assim ainda nada vires, então olha com os olhos fechados, olha apenas com o coração, que há de bater à tua porta uma criança. Deixa-a entrar. Faz-lhe uma carícia. É ela que traz a música e a letra da canção. Ela é a Notícia».
António Couto

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

NASCEMOS...

Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.
Para quem quiser ver a vida está cheia de nascimentos.

Nascemos muitas vezes ao longo da infância
quando os olhos se abrem em espanto e alegria.
Nascemos nas viagens sem mapa que a juventude arrisca.
Nascemos na sementeira da vida adulta,
entre invernos e primaveras maturando
a misteriosa transformação que coloca na haste a flor
e dentro da flor o perfume do fruto.

Nascemos muitas vezes naquela idade
onde os trabalhos não cessam, mas reconciliam-se
com laços interiores e caminhos adiados.

Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.
Nascemos quando nos descobrimos amados e capazes de amar.
Nascemos no entusiasmo do riso e na noite de algumas lágrimas.
Nascemos na prece e no dom.
Nascemos no perdão e no confronto.
Nascemos em silêncio ou iluminados por uma palavra.
Nascemos na tarefa e na partilha.
Nascemos nos gestos ou para lá dos gestos.
Nascemos dentro de nós e no coração de Deus.


José Tolentino Mendonça

domingo, 25 de dezembro de 2016

A CRIANÇA É A MENSAGEM



A criança é a mensagem.
Um Deus que entra em nossa vida desde a meninice é o mais crente de nós.
Acredita em recomeços.
Tem fé nos reinícios.
Adere aos nossos renascimentos.

O bebé é Deus dizendo: «Faça como eu, recomece sempre que um novo início for a salvação.»
Ele não é o outro que vem a nós.
É o menino que vimos crescer.
Não chega. Nasce.
Não se impõe. Entrega-se.
Não reivindica. Serve.
Não esmaga. Mistura-se.
Conta histórias para contar-se entre nós...
Não intimida. Seduz.

sábado, 24 de dezembro de 2016

TÃO DIVINO QUE ATÉ QUIS SER HUMANO



Está quase a chegar aquele primeiro dia «inteiro e limpo, onde emergimos da noite».
Sophia tem mesmo razão: «A casa de Deus está assente no chão».

É por isso que o Natal é o dia que não tem fim. 

É o dia que jamais anoitece e em que até o frio nos aquece.
É o dia em que os céus se abriram, em que os anjos saíram e melodias se ouviram.

O silêncio de Deus, que gemeu em Belém, continua a crepitar nos pobres também.
Quem não os ouve a eles, como pode ouvi-Lo, a Ele?

Aquele Menino é tão divino que até quis ser humano. Aquele Menino é tão humano que só pode ser divino.

O Deus que está naquele Menino humaniza-Se e diviniza-nos. Ele não nos retira humanidade. Pelo contrário, é a Sua divindade que deposita em nós humanidade. (...)

O Natal é o dia em que o futuro nasceu e até justiça choveu. (...)

Deus veio ao mundo. Acampou na terra para eliminar o ódio e acabar com a guerra.
Trouxe, como única veste, a paz e é imensa a alegria que a todos nos traz.

Veio em forma de criança. Haverá quem fique indiferente a tanta esperança?

Naquele dia, colocaram-No numa manjedoura, perto do chão. Mas, desde então, a Sua morada passou a ser o nosso coração!

sábado, 3 de dezembro de 2016

O Milagre da Vida


«É quando nos expomos ao exagero do Amor e à loucura da Esperança que nos pomos a jeito para levar com o Milagre da Vida em cheio na cara!»
Rui Santiago Cssr, in Ora Vê

terça-feira, 29 de novembro de 2016

No princípio era o amor...


«Deus diz: "Antes de nasceres, já te tinha sonhado". Quando compreendermos que Deus nos amou primeiro, mesmo antes de nós O amarmos, nos enchemos de assombro. A contemplação não é mais do que esta disposição em que a pessoa é agarrada toda inteira na surpresa do amor.
Todos nós temos feridas, mas há sobretudo, em cada um, o mistério da presença de Deus.»
Madre Teresa de Calcutá

sábado, 26 de novembro de 2016

O essencial...


"O essencial é ter encontrado Deus, e ter lealmente tentado, em vida, fazer com que Ele reine em nós, neste pequeno fragmento de ser." 

[Pierre Teilhard de Chardin]

domingo, 20 de novembro de 2016

O que conta...


O que conta, em cada Hora, 
é a Lei inscrita nos nossos corações pelo punho do Espírito 
com a grafia de Jesus.

[Rui Santiago Cssr, in "Ora Vê"]

quinta-feira, 17 de novembro de 2016


«Quero que saibais que somos a respiração e a fragrância de Deus. 
Somos Deus em folha, em flor e muitas vezes em fruto.»

[Kahlil Gibran, in "O Jardim do Profeta"]

domingo, 13 de novembro de 2016

O ESSENCIAL




«Só quando o coração do homem tiver encontrado esse manancial eterno de riquezas divinas, poderá renunciar, perfeitamente, aos bens que dividem os homens entre si.

É preciso que descubra a força do amor que encontra a sua origem em Deus.

É preciso que descubra o amor infinito de Deus por todos os homens, e que depositem nele toda a sua confiança.

É preciso que expurgue a religião de todos e qualquer elemento de hipocrisia, é preciso que viva o essencial da mensagem de Jesus: a abertura ao Espírito Santo, a compaixão pelos fracos e aflitos, pelos inimigos, a renúncia a todo o julgamento ou condenação dos outros.»

Jean Vanier

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Vive de tal maneira...

Vive de tal maneira que a tua vida seja uma explicação do Evangelho de Jesus.

«Durante a Jornada Mundial da Juventude que decorreu na cidade polaca de Cracóvia nos últimos dias de Julho, um jovem perguntou ao Papa Francisco o que deveria dizer a um amigo ateu.
Francisco respondeu: “Escuta, a última coisa que deves fazer é dizer algo. Começa a fazer e ele verá o que fazes e perguntar-te-á; e quanto ele te perguntar, tu dizes”».

quinta-feira, 3 de novembro de 2016


"Alegrai-vos comigo porque reencontrei a minha ovelha perdida” (Lc 15:6)

domingo, 30 de outubro de 2016

VEM TIRAR-NOS PARA A DANÇA


Senhor, dá-nos viver nossa vida, não como um jogo de xadrez; onde tudo é calculado;
não como uma competição onde tudo é difícil;
não como um teorema que nos quebra a cabeça, 
mas como uma festa sem fim onde nosso encontro se renova,
como um baile, uma dança, entre os braços da tua graça, na música universal do teu amor.
Senhor, vem tirar-nos para a dança
[Madeleine Delbrêl]

sábado, 29 de outubro de 2016

O RISO DE DEUS


«É preciso um certo ouvido musical para escutar o riso de Deus.»
[Erri de Luca, in "Caroço de Azeitona"]

quinta-feira, 27 de outubro de 2016


"Se estamos à espera que algumas pessoas se tornem agradáveis ou atraentes antes de começarmos a amá-las, nunca vamos começar."
[Thomas Merton]

domingo, 23 de outubro de 2016

Quando eu for grande...



Quando eu for grande, Pai, quero ser Bom como Tu.

Quando eu for grande, Pai, quero ter entranhas de misericórdia que se comovam, 
revolvam e resolvam diante do sofrimento dos outros. 
Quero saber o Nome de muita gente, sobretudo daqueles que não têm Nome, 
que perderam a cara ou a deixaram colada a alguma máscara antiga, 
que deixaram a dignidade escondida numa cova qualquer
à espera do dia em que possam voltar a buscá-la. 
Quero ter histórias para contar com gente que não conta para ninguém! (...)

Quando eu for grande, Pai, é porque finalmente perdi a mania das grandezas. 
Vou amar o que é pequeno e encantar-me com a fragilidade, 
entusiasmar-me com a dádiva e emocionar-me com a debilidade, 
vou amar a carência e entregar-me inteiramente sem esperar recompensa.

Rui Santiago, in "Ora Vê"

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Há gente...


"Há gente que me facilita a Fé pela simplicidade com que ama."

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O MAL


Perguntou-me: "Se Deus existe, porque permite o mal?"

Respondi-lhe: "Se tu existes, porque permites o mal em ti?"

[Raúl Aceves]

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

VIVER COM ATENÇÃO

"O risco diário é uma vida adormecida, incapaz de colher chegadas e inícios, amanheceres e nascentes, de ver a existência como uma mãe à espera, grávida de luz; uma vida distraída e sem atenção.
Viver com atenção. Mas a quê? Atentos às pessoas, às suas palavras, aos seus silêncios, às perguntas mudas, a cada oferta de ternura, à beleza de ser vida grávida de Deus."
[Ermes Ronchi]

domingo, 9 de outubro de 2016

Sob o olhar de Deus



"Aprender a amar é: aceitar, respeitar, ser paciente, tolerante, misericordioso e, não menos importante, aprender a rir-se de si mesmo. Só o que é reconhecido e aceite pode ser redimido. Esta aceitação, rompendo com os mecanismos defensivos e protetores, dispõe-nos para nos colocarmos com serenidade e confiança sob o olhar de Deus, tal como somos, por inteiro, sem nenhuma necessidade de dissimular. 
Precisamos da ternura e da compaixão infinita de Deus para aprender a olhar-nos com essa mesma ternura e compaixão. Esta é a grande dádiva daquele que irrompe na nossa vida sempre e como nunca esperávamos. Ele é inesperado! Oxalá se gravasse em nós, de uma vez por todas, que a perfeição de Deus e, portanto, a nossa perfeição, não é a impecabilidade senão a misericórdia!"

Carlos Maria Antunes, in "Atravessar a própria solidão"

terça-feira, 4 de outubro de 2016



"Há almas nas quais Deus vive sem que elas disso se apercebam..." 

[Christian Bobin]

domingo, 2 de outubro de 2016

A certeza do perdão...

«Cristo não nos quer ébrios de culpabilidade, mas cheios de perdão e de confiança. (...)
O coração do ser humano é por vezes muito severo porque não se deixa revestir pela compaixão de Deus. Deus nunca é um algoz da consciência humana. Em sua bondade, embeleza e tece a nossa vida com o fio do seu perdão. Deus esconde o nosso passado no coração de Cristo e ocupa-se do nosso futuro. A certeza do perdão é a realidade do Evangelho mais extraordinária, mais inacreditável, mais generosa - é a libertação incomparável.»

Irmão Roger, de Taizé, in "Oração: Frescura de uma Fonte"

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Sem misericórdia, ainda é noite

"Para os cristãos, a grande mentira é ver os outros sem misericórdia; é fechar os olhos à bondade da sua humanidade e sobrecarregá-los com o peso dos seus pecados.

Não veremos correctamente as pessoas, se não for com misericórdia.

Não verei correctamente um velho mendigo a pedir à beira da estrada, enquanto não o vir como um futuro cidadão do Reino. (...)

Um dia, um rabino perguntou aos seus discípulos:

«Como se pode dizer que a noite terminou e o dia está de volta?»

Um discípulo sugeriu:

«Quando se pode ver claramente que um animal, à distância, é um leão e não um leopardo.»

«Não», disse o rabino.

Um outro disse: «Quando se pode ver que uma árvore tem figos e não pêssegos?»

«Não», disse o rabino, «é quando se pode olhar para a face de outra pessoa e ver que aquela mulher ou aquele homem é vossa irmã ou vosso irmão. Porque enquanto não forem capazes de o fazer, seja qual for o tempo do dia, ainda é noite»."

Timothy Radcliffe, in "Ser Cristão para quê?"

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Deus ama-me exactamente como sou

Henri Caffarel conta uma história passada em Itália em fins do séc. XVIII, num convento em construção na encosta dos Apeninos: o prior do convento chamou o arquitecto e mandou-lhe construir uma cela isolada sem janelas, com frinchas que apenas deixassem entrar alguns raios de sol; nada mais dentro da cela a não ser uma inscrição com estas palavras: «Amo-te exactamente como és». Nessa cela, ia ser proibido qualquer pensamento ou tema de meditação para além deste: «Deus ama-me infinitamente, ternamente, Deus ama-me exactamente como sou». A cela destinava-se a algum monge que andasse triste ou ansioso a perguntar-se «como é que o Senhor pode amar alguém como eu?».

Quem não sabe amar a Deus entre na cela do monge e deixe-se lá ficar; veja a inscrição na parede e não pense em mais nada. «Deus que te ama gratuitamente, te ensinará a amar.»
Luís Rocha e Melo, in"Se tu soubesses o dom de Deus"

sábado, 17 de setembro de 2016

O teu próximo


«O teu próximo não é aquele que tu fazes entrar no horizonte das tuas atenções, mas próximo és tu quando assumes o cuidado de um homem: não quem tu amas, mas quando tu amas."
Ermes Ronchi